Mobilidade do Futuro - Verbatims - Rio de Janeiro
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- Published on Friday, 28 October 2011 02:35
- Written by Rio de Janeiro
Verbatims da enquete dos jovens - Rio de Janeiro
30 estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro responderam à enquete sobre a sua visão da mobilidade no Rio de Janeiro futuro. O exercício compreendeu uma parte textual (algumas questões abertas a serem respondidas ou desenvolvidas) e uma parte gráfica (a criação de uma imagem-síntese conceitual). Os alunos têm idades que variam entre 20 e 26 anos.
Os resultados permitem traçar um esboço das ideias e tendências vigentes, bem como dos desejos em relação às cidades futuras, especialmente o Rio de Janeiro, além de proporcionar uma base de comparação e intercâmbio com as outras enquetes realizadas pelas equipes internacionais do IVM.
Qual seria para você a cidade ideal, que você imagina, sem restrições de “realismos”?
Verde
Limpa
Segura
Acessível
Dinâmica
Integrada
Sustentável
Eficiente Fluida Divertida
Igualitária DiversificadaViva
Qualidade Organizada Rápido Cultural Tecnologicamente desenvolvidaAdaptávelPreservada Colorida
Transportes práticos e saudáveis como a bicicletaAgradável ConfusaMovimentadaclima amenopráticaLuminosaAmsterdam Pitoresca comércio funcional moradia digna para seus habitantes espaçosa deslocamento multiplicidade troca absorção caminhar “esteira rolante” Luminosa Circulação sociável qualidade de vida pitoresca mobilidades tranqüilidades intermodalidade sedutora multifuncional multissensorial acolhedora bonita conforto harmonia estrutura moderna convidativa ecológica colorida policêntrica “eqüidistâncias” investimento e cuidado constantes iluminada conectada descentralizada atividades mescladas prioridade para ciclistas e pedestres vários centros conectados
Impressões dos entrevistados:
“No meu imaginário, a cidade ideal de fato não existe. O conceito que carrego de cidade refere-se a um espaço em constante mutação e transformação. Ou seja, a cidade está sempre em movimento, o que nos impede a criação de uma síntese de cidade perfeita, ideal, já que a perfeição é concreta e fixa. Para mim existem algumas cidades que poderiam se aproximar do “ideal” de cidades como Amsterdam, Barcelona, Londres etc. Não podemos esquecer que esse ideal pessoal está diretamente ligado às relações que faço com a minha própria cidade, o Rio de Janeiro. Ao pensar no que seria pra mim, uma cidade ideal, é inevitável que grande parte dos aspectos que prezo nesse ideal esteja baseada nas angustias e desafios que encontro no Rio de Janeiro. Em palavras gerais, uma cidade ideal seria aquela que combate os problemas da nossa atualidade com soluções inteligentes e sempre pensando coletivamente. Não se limitando à qualidade de sua estrutura física urbana mas também à qualidade de sua gestão governamental, e principalmente, na comunicação e confiança que deve existir no dialogo entre população e governo. Ou seja, é necessário que haja harmonia entre população, governo e espaço físico”.
“O acesso e a circulação são essenciais para o funcionamento da cidade. Podemos incluir a necessidade de trazer o verde e áreas de passeio, onde se encontraria um respiro dentro de cidades sólidas (rígidas).”
[A cidade ideal deve]“adicionar parques, promover uma maior permeabilidade (circulação) entre ruas e edifícios e diminuir os deslocamentos”
“sonho em deixar o carro na garagem”
“Buscar um modelo é muito complicado, principalmente nas grandes cidades, São Paulo e Rio de Janeiro seria um anti-modelo com uma estrutura veicular entrando em colapso. Cidades paradas devido ao intenso fluxo de carros e um precário transporte coletivo”.
“(...) acredito que a pontualidade, conforto e agilidade classificariam um transporte de qualidade, não deixando de mencionar o custo. Como o transporte é privado, não possuímos privilégio de passe único em períodos longos e com custo barato, o que acontece em países da Europa”.
“(...) Não poderia deixar de mencionar as ciclovias, mas não existe ainda infraestrutura adequada”.
“Considero lugares menores com qualidade de vida melhor (Teresópolis e Petrópolis)”
“segurança e atrativos”
“A cidade ideal (...) é aquela em que seu espaço físico abrigue (...) as individualidades, que propicie a convivência diversificada e no caminhar sobre ela aos urbanistas o acesso fácil aos serviços públicos. Isso traduzido nos requer um espaço agradável com pontos de encontro de se estar e um sistema de mobilidade capaz de fazer eqüidistantes todos os “mundos compreendidos nessa realidade”.
Palavras mais citadas, respostas mais comuns: “verde”, “limpa”, “acessível”, “segura”, “dinâmica”, “integrada”.
Temas:
ecológico ( %),
político-social ( %),
moderno ( %)
cultural ( %)
funcional (% )
Para se deslocar em sua cidade ou em seu bairro, com quais meios de transporte você sonha?
Metro
Bicicleta
VLT
Aéreos Aquaviários
Transporte público eficiente Monotrilhos Ferroviários Trem
Elétricos “vélib de carro” De energias renováveis Carro ecológico Mescla entre terrestre e subterrâneo Teleféricos Maior velocidade trem-bala brt
“ônibus aéreo”
“Encarando o Rio de Janeiro com toda sua extensão e dispersão, e considerando-o como múltiplos centros justapostos, poderíamos ter uma rede de transportes rápidos, de grande porte, e de grande rotatividade, capaz de conectar centros distantes em curtos espaços de tempo. Sendo esta via de conexão descolada o máximo possível do tecido urbano”.
Que tipos de “qualidades” você espera dos meios de transporte?
Segurança Conforto
Pontualidade Rapidez
Limpeza Eficiência
Acessibilidade
Públicos Integrados Tarifas adequadas Abrangência de itinerários
Agilidade
Não sejam poluentes Freqüência Diversidade
Ecológicos Energia renovável Melhor organização das paradas e transferências Tempo Sustentabilidade Coletividade Omnipresentes Abrangência Infra-estrutura adequada Confiável Estrutura Respeito ao usuário Bem hierarquizados Ventilados Fluidez Mobilidade Respeito ao usuário Bicileta
Impressões dos entrevistados:
“Sonho com meios transporte públicos que explorem a geografia do local e que permitam o acesso a todas as regiôes da cidade vencendo grandes distâncias em um curto intervalo de tempo, desde um metrô eficiente e de grande capacidade, até transporte aquaviário, aéreo, teleféricos e trens de alta velocidade”.
“Os transportes públicos precisam oferecer mais conforto, segurança, eficiência e velocidade para seus utilizadores. Quem nunca entrou num vagão do metrô lotado nos horários de maior fluxo? Quem nunca entrou num ônibus e quando o motorista acelerou bruscamente quase caiu no chão? Quem nunca ficou preso num engarrafamento?
É preciso colocar mais vagões nas linhas de metrô da cidade para transformá-lo num meio de transporte mais rápido e confortável. É preciso ter mais disciplina por parte dos condutores de ônibus ao conduzir o veículo e proponho até a reformulação de outro tipo de viatura, mais leves e mais baixas, dando mais equilíbrio e se tornando mais acessível aos portadores de deficiência. Assim como foi mencionado no item anterior, se o transporte público se torna mais eficiente e ganha mais qualidade, menos veículos particulares estariam circulando pela cidade e o problema do transito já diminuiria”.
“A palavra "rua" hoje está diretamente relacionada com o transporte motorizado, sendo de fato este o maior protagonista no planejamento desta atualmente. E o que antes representava o espaço do coletivo, está cada vez mais individualizado através do encapsulamento nos carros.
Os meios de transporte são importantíssimos em uma cidade tão grande e diversa, mas deveriam ter uma interferência mínima no meio urbano o suficiente para permitir o acesso a todo o território.
Penso então que deveriam ser todos públicos, o que, teoricamente, funcionaria sem visar o lucro e sim o bom serviço na locomoção na cidade, além de deverem servir com pontualidade, limpeza, conforto mínimo, e fuidez”.
cite três cidades que você considere como “míticas”, que constituiriam para você um modelo ou um anti-modelo, e explique por quê elas o são para você.
Das 3 cidades mais citadas como modelos, duas são européias e uma brasileira:
Amsterdam (9 citações); Curitiba (8 citações) e Barcelona (8 citações).
Amsterdam
CuritibaBarcelona
Paris- Londres - Nova Iorque
Lisboa- Santiago do Chile - Chicago
Poundbury- Sidney - Itaperuna - Veneza - Madrid - Paquetá – Bogotá –São Paulo – Celebration - Solar City – Veneza - Valencia
Cidades americanas (norte e sul) foram tão citadas quanto as européias. Além de Curitiba, Nova Iorque, Santiago do Chile e Chicago foram lembradas como exemplos positivos. No caso de Itaperuna e Paquetá, talvez apareçam como referencias de um estilo de vida “desacelerado”, peatonal e compacto:
“Paquetá: não é uma cidade mas é um referencial próximo e dentro da nossa realidade. É um lugar onde os únicos meios de transportes motorizados são os de serviço público. As pessoas circulam de bicicleta ou a pé o que funciona para este complexo urbanistico menor, mas que ampliado requereria maiores alternativas. Contem porém um problema de conexão limitada com o centro do Rio”.
Itaperuna: “o nº de habitantes que não chega a atrapalhar o desenvolvimento/atividades da cidade”.
Barcelona: os jovens ressaltaram método de coleta de lixo. Em Amsterdam, a cidade mais citada como “modelo”, apresentaram a cidade pelas seguintes características:
“pela inteligência no uso de espaços alternativos para habitação, como moradias flutuantes, é um bom exemplo de solução”.
“aproveitamento de recursos naturais, como os rios, que são navegáveis e fortemente utilizados como meios de transporte, preocupação ambiental, com vias que priorizam o pedestre e as bicicletas, reduzindo a necessidade de utilização do automóvel”.
Anti-modelos:
São Paulo
Brasília
Déli– Mazdar – Vadodara – Dubai
“A cidade de São Paulo a cada dia bate recordes de congestionamento, é umas das mais poluídas e verticalizadas, é basicamente uma cidade cinza, onde não se vê muitas áreas verdes ao longo da cidade”.
Mesmo que São Paulo tenha sido o grande anti-modelo de acordo com os jovens estudantes, foram apontados também aspectos positivos:
“por apresentar dois opostos se considerarmos os longos e constantes engarrafamentos nas vias estruturadoras, Marginal Tietê e a Marginal Pinheiros. E compararmos com o sistema de metrô e o sistema ferroviário, sendo estes modernos, seguros, limpos e eficiente. O sistema metroviário, por exemplo, é de fácil leitura e abrangente”.
Nota-se também que apesar da grande presença de cidades conhecidas mundialmente, foram citadas muitas cidades menos conhecidas. As cidades da Índia ilustram, de acordo com a visão de alguns dos jovens, a desordem da circulação:
“Delhi é um mau exemplo de fluidez e de organização da circulação viária”.
“Vadodara – pela desorganização do sistema de tráfego de veículos motorizados e não motorizados, é um anti-modelo”.
Se você tivesse o poder de mudar e de melhorar a sua cidade, o que você faria? Por quê? Em nome de quê?
Mais citados: metro, transporte público, bicicleta, reestruturação das vias, transporte elétrico, aquaviário.
Transportes públicos
Tornaria a cidade adaptada aos transportes públicos, autocarros/bondes, metrô, táxis e bicicletas. Com recursos a energias renováveis tornaria a cidade mais auto sustentável.
“Política publica que estimulasse os habitantes quanto ao uso do transporte público”
Melhorar o transporte público coletivo, a fim de incentivar a diminuição do uso do veículo motorizado; Mudar a educação da sociedade com relação aos espaços livres público.
Água
“Exploraria o uso dos transportes marítimos como um dos principais meios de locomoção, voltando a dar uma nova vida aos rios que passam pela cidade, tal e qual como é vivida e explorada a cidade de Veneza”.
Pneu
“a introdução das bicicletas para alugar iria diminuir drasticamente o uso do transporte motorizado individual”.
“criaria ciclovias que estimulassem o uso da bicicleta como meio de transporte e não só como lazer”.
Verde
“criaria mais áreas livres com bastante sombreamento, áreas de respiro, plantaria mais árvores, mas sobretudo pensaria na cidade como um conjunto e um organismo vivo e muito complexo que precisa de tratamento constantemente para não adoecer”.
Memória
“(...) principalmente investiria na revitalização do que sobrou dos antigos bairros cariocas, que guardam a história do que já foi a minha cidade algum dia. É triste ver um sobrado caindo aos pedaços e desaparecendo com o passar do tempo. Temos que dar espaço para a nova arquitetura, mas sem deixar morrer aquela que guarda a memória e parte da identidade da cidade”.
Trilho
“Priorizaria o transporte público, trazendo tecnologias ainda não implantadas (VLT) e maximizando a abrangência do metrô. Substituiria o sistema ferroviário por um sistema mais rápido, como o próprio metrô. Incentivaria a utilização do sistema ferroviário para transporte de cargas, revitalizando as linhas existentes e, eventualmente, criando conexões necessárias para integrar de forma eficaz toda a região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro”.
“voltaria a investir mais nos trens para o transporte de pessoas tanto de dentro do município quanto levando passageiros para fora até mesmo do estado, para que o número de ônibus e carros trafegando em estradas diminuísse”.
“Buscaria ampliar as linhas de metrô e trem, tentando ter uma lógica de relacionar os locais de âmbito institucional, educacional e cultural em uma linha e comercial e industrial em outra. Conectando-as através de uma linha que sirva a área residencial”.
“criaria diversas linhas de metrô e bondes, corredores de ônibus e integração desses meios de transporte com a bicicleta e outros veículos e propulsão humana;”
Integração – conexão
“Faltam também conexões entre os diversos meios de transportes”
As linhas interurbanas são poucas e sempre saem do centro dificilmente passando através dos bairros. Além disso, por serem linhas intermunicipais, o preço é bem mais alto.
A sugestão seria a reestruturação das linhas e seus destinos de acordo com as demandas, reorganização dos terminais e criação de novas linhas intermunicipais.
“Melhoraria a acessibilidade, criando terminais de concentração de diversos meios de transporte coletivo, como estações de ônibus, barcas, metrôs, VLT, com bicicletários. Implementaria novas estruturas de mobilidade, baseadas em modelos com resultados positivos (como o VLT em Amsterdã e as bicicletas em Berlim ou Paris) e revitalizaria estruturas como o trem e o bonde, adaptando-as às mudanças da cidade, por fazerem parte da identidade local”.
“Iria promover uma integração entre os diversos meios de transporte público. Para a acessibilidade projetaria pisos táteis, rampas ou almofadões, escolheria materiais de piso que facilitassem o deslocamento de cadeirantes, entre outras medidas”.
“Esquecer todos os jogos de interesses é imprescindível para o ordenamento eficiente. Para isso, faria linhas de tram em todas as avenidas expressas com paradas em pontos de integração para trams internos e pequenas rodoviárias para circulação interna”.
Descentralização de investimentos
Eu buscaria investir em zonas que receberam menor investimento financeiro e estatal nas últimas décadas, na tentativa de oferecer a população da cidade um equilíbrio entre os diversos bairros do Rio. (...) acredito que as distâncias dificultam a busca pelo conhecimento, informação.
“trataria a cidade como a justaposição de diversas centralidades”
Paisagem
Tentaria transformar também boa parte de viadutos em mergulhões, na tentativa de oferecer uma paisagem mais aberta e mais fluida da cidade, para o pedestre.
Transformaria as comunidades carentes em conurbações desenvolvidas em todos os sentidos, explorando o potencial turístico que os morros habitados poderiam gerar, construindo habitação modular, equipamentos urbanos, “legalizando” a ocupação do solo na região; Além disso, extinguiria a violência gerada pelas desigualdades, transformando a cidade num complexo sistema interligado entre todos os seus morros e centros de bairros por meio de teleféricos com abrangência metropolitana.
“acabaria com muitos viadutos”
“Interligaria (a cidade) por metrô e sempre que fosse possível enterraria ou elevaria os trilhos deixando o solo livre para pedestres, ciclovias e parques gerando vida, movimento”. Eu investiria na ligação por trilhos, por acreditar na rapidez sistema e por isso fazer encurtar as distancias e ser um meio limpo(não poluente).
Política
“Talvez começasse revendo e restabelecendo os indivíduos munidos poder de decisão na cidade: prefeitos, deputados etc. Em seguida reformaria a estrutura urbana com o auxilio e a participação efetiva da população, analisando cada área individualmente e pensando na cidade como um todo. Reforçaria a importância do ensino e da cultura como base para o desenvolvimento. Acredito que com essas “poucas” mudanças estaríamos caminhando para um futuro melhor”.
“transporte público e bicicletas ou variantes deste.”
“permitiria que as pessoas usassem e se apropriassem mais do espaço compartilhado e interagissem mais entre si. Um espaço público como o espaço do coletivo... e não do acumulo de individualidades.”
“Transformaria meios de transportes que hoje em dia são como barreiras para os bairros, em uma maneira de interligar a cidade como um todo. Melhoraria o transporte público e investiria no incentivo pelo uso de bicicletas, com a criação de caminhos para o seu uso, já que o rio de janeiro possui paisagens tão belas, a bicicleta é uma maneira de locomoção que permite um contato maior com o meio. Apostaria no transporte de bonde, visto que a cidade possui vários trilhos não utilizados, e aproveitaria os rios como locomoção. As mudanças eu faria pela melhor qualidade de vida da maior parte dos habitantes desta cidade, que muitas vezes passam grande parte das horas dentro de transportes públicos, sem qualidade e vulneráveis a atrasos e acidentes”.
Reestruturaria o transporte público com a ampliação e construção de novas linhas do “Reduziria as vias destinadas aos carros, aumentando e melhorando as calçadas”
“rede de ciclovias chegando a praticamente todos os lugares da cidade” colocaria bicicletários por toda a cidade
“restringiria os estacionamentos nas vias”
“criaria mais espaços públicos e melhoraria a qualidade dos existentes. Dessa forma as pessoas deixariam a individualidade de dentro de seus carros e passariam a conviver igualmente com todos os tipos de pessoas e classes sociais”




















